quarta-feira, 5 de maio de 2010

A Luneta Mágica

Trecho Retirado do Epílogo, parte II; do Livro: A luneta mágica, de Joaquim Manuel de Macedo



... Dando-te a segunda luneta mágica eu fui o que sou – Lição; observando pela visão do bem, tu foste o que és – Exemplo.

Escuta ainda, mancebo.

Na visão do mal como na visão do bem houve fundo de verdade; porque em todo homem há bem e há mal, há boas e más qualidades, e nem pode ser de outro modo, porque em sua imperfeição a natureza humana é essencialmente assim.


Mas a primeira das tuas lunetas mágicas não te mostrou senão o mal, e a segunda te mostrou somente o bem, e para mais viva demonstração da falsidade e das funestas conseqüências de ambas as doutrinas, ou prevenções, as tuas duas lunetas exageraram.

Ora exagerar é mentir.

Mancebo, a verdadeira sabedoria ensina e manda julgar os homens, aceitar os homens, aproveitar os homens como os homens são.

A imperfeição e a contingência da humanidade são as únicas idéias que podem fundamentar um juízo certo sobre todos os homens.

Fora dessa regra não se pode formar sobre dois homens o mesmo juízo;

Cada qual é o que é; cada qual tem as suas qualidades, e seus defeitos.

A sociedade que aceite cada homem com as suas qualidades e os seus defeitos, explorando umas e outras em seu proveito.


As próprias plantas venenosas são úteis: a ciência faz do veneno mais violento um meio destruidor de moléstias, regenerador da saúde, conservador da vida.

A educação do homem que é a base mais importante e a essencial da ciência social pode explorar em benefício da sociedade, dirigindo-os convenientemente, os próprios defeitos correspondentes às qualidades estimáveis de cada um.

Mancebo! Para te levar à verdade já te lancei duas vezes no caminho do erro.

Erraste acreditando no mal, erraste acreditando no bem, que te mostraram tuas duas lunetas, que exageraram o mal e o bem, ostentando cada uma o exclusivismo falaz do seu encantamento especial.

Erraste pelo exclusivismo; porque o exclusivismo é o absurdo do absoluto no homem.

Erraste pela exageração; porque exagera é mentir!...

Trecho Retirado do Epílogo, parte II; do Livro: A luneta mágica, de Joaquim Manuel de Macedo.

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Simplesmente muito legal essa parte do livro! ^^

O livro é muito bom, no início pode até parecer um pouquinho chato, mas depois a história vai crescendo e ficando cada vez mais interessante, buscando sempre a relatividade do bem e do mal. =)

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Bolo de Cenouraaaa! xD

Meus amigos depois que eu me formei, veio a parte mais difícil que é conseguir um emprego, tô na luta até hj, tô estudando para os concursos...